A vida tem sons
Que pra gente ouvir
Precisa entender
Que um amor de verdade
É feito canção,
Qualquer coisa assim,
Que tem seu começo,
Seu meio e seu fim...
(Tavito - Ney Azambuja - Paulo Sérgio Valle)
...Essa relação chegou ao fim. Não foi meu amor pela escrita e pelos escritos, também não foi meu amor pelos companheiros do caminho maravilhoso que se iniciou em 2006, na cidade de Goiânia, mas sim esse pedaço da minha estória - ArcaMundo chegou a termo para mim.
Assim como partiu Camila, para a construção de uma nova etapa de vida na Alemanha, agora parto eu, que mesmo já não morando mais em Goiânia seguia contribuindo para a Arca - como carinhosamente a chamávamos.
Arcamundo foi a experiência mais importante dos últimos tempos. Graças a Parrode e Camila tive finalmente coragem de me expor e expor meus escritos. Aqui discorri sobre temas diversos, notadamente aqueles ligados aos sentimentos e à forma de ver e sentir o mundo.
Esse lócus compartilhei anseios, dúvidas, medos e afetos. Aqui tornei público, gritei para o mundo muitas das minhas dores, forjando uma naturalidade, muitas vezes mais desejada que sentida.
Aqui disse, em linhas gerais, como vejo - ou via - o mundo. E de tanto mostrar a todos meu mundo, precisei olhá-lo com mais vagar e atenção.
Assim foi que me recolhi numa casinha no campo, alugada e decorada especialmente para me propiciar mais e mais momentos de contato com meus sentimentos, minha história e meus escritos.
Embora esteja imersa em meu próprio mundo há meses, não tenho compartilhado nem aqui, nem em qualquer outro espaço esse processo. Desculpem, esse foi um tempo e um espaço só meus.
Eis-me aqui. Cabeça erguida, pronta para mais um caminhar, pronta para uma nova estrada. Não há como seguir por Arcamundo sem ficar com um gosto de comidinha requentada. Preciso novos ares, sobretudo de um novo espaço. Agora, preciso de um espaço que eu possa chamar de meu.
Nada contra os ideais socialistas, nenhuma apologia ao individualismo da sociedade consumista. Apenas um sinal inequívoco de que há tempo para o coletivo, e tempo para o individual. Este é, para mim, momento de individualizar o espaço e assim poder melhor compartilhar sentimentos, valores e pensamentos.
E nesse tempo, em que tenho trabalhado cada dia mais fortemente pelo coletivo, pelo social, nada melhor que ter um pequeno sítio, local de cultuvo da subsistência para plantar meus amigos, meus livros, meus discos, meus filmes e nada mais.
Foi bom estar com vocês e receber contribuições, sugestões e críticas. Foi bom debater e aprender semanalmente um pouco de cada um. Parto de Arcamundo diretamente para o Blog da Maria (http://blogdamariaclaudia.blogspot.com). Aguardo vocês por lá!
Maria Cláudia Cabral
Mostrar mensagens com a etiqueta blog da maria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta blog da maria. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 31 de março de 2008
terça-feira, 21 de novembro de 2006
A Menina e o Gato.
Um dia a Menina viu um gato. Ela nunca havia tomado contato com gatos. Ficou tão curiosa, tão intrigada. Interessou-se imediatamente por compreender o gato. Queria conhecer o que é um gato. Aproximou-se devagar, num misto de vontade e receio. Os gatos mordem? Eles podem machucar? - perguntava a criança a si mesma
O gato a olhava fixamente, parecia adivinhar suas intenções. Observador e cauteloso, o gato a olhava. Ela sorria, gostava da idéia de entender o gato, se é que é possível entender gatos.
Ela se moveu lentamente em direção ao gato, foi estendendo sua mãozinha pequena e curiosa. O gato a olhava. Ele se aproximou um pouco mais, parecia também querer conhecer a criança. O gato conhecia meninas, mas talvez – nunca se sabe o que passa na cabeça de um gato – quisesse saber sobre cada menina. Quis, talvez, conhecer essa Menina. Quem sabe?
Tranqüilamente ele se aproximou um pouco mais. A Menina, não entendendo o gato, com olhos fixos, retrocedeu um tiquinho, mas ela queria muito desvendar o mistério do gato. Então, aproximou-se só um pouquinho. Ele permaneceu.
O gato aproximou-se um pouco mais. Ele chegou a tocá-la, ela saltou e soltou um gritinho – misto de susto e de alegria – por sentir finalmente o gato na ponta dos dedos. Ele assustou-se, recuou.
Ela já não era mais a mesma menina, havia tocado o gato, embora não entendesse um gato. Queria tocá-lo novamente, queria sentir um pouco mais sua textura, seu cheiro, se pudesse, queria provar seu gosto! Queria saber o gato, como saber um gato?
Foi então que, cuidadosamente, aproximou-se de novo – pulsavam, ainda e mais, o medo e a vontade de sabê-lo. A Menina lançou-se em direção ao gato. Ele, imediatamente, ronronou algo que ela não pôde compreender. Ela assustou-se. Ficou ali parada sem entender. Olhinhos fixos no gato. E o gato, olhos fixos nela, virou-se e lentamente saiu. Ela chamou o gato e ele a olhou com desdém.
A Menina até aquele momento não conhecia tal indelicadeza e não entendia o que havia feito de errado. Não quis mais brincar com gato. Também virou-se e saiu batendo pés, olhinhos marejados por causa do gato-bobo. Humpf...
Sua mãe tentou, sem sucesso, explicar-lhe que gatos são assim mesmo, arredios às vezes, mas são muito boas companhias. Disse que ela devia rir da reação do gato, porque quando um gato permite que uma menina o conheça e presta-se a conhecer a Menina, são os melhores amigos de tooodo o mundo. Seu pai, por outro lado, dizia: - Esqueça esse gato, minha filha, ele é só mais um gato-bobo. Que tal brincar de outra coisa. Há tantas outras coisas interessantes no mundo, porque você cismou com esse gato?
A criança teimosa continuava lá, tentando saber o gato.
'' Desarme-se. Amar faz bem para a alma, para a pele e para o cabelo.'' (Uma jornalista, em 17 de novembro de 2006).
'' O que é amar?'' (A criança, hoje e sempre)
Maria Claudia Cabral.
Copyright Arca Mundo. Todos os direitos reservados.
Copyright Arca Mundo. Todos os direitos reservados.
Marcadores:
blog da maria,
Maria Cláudia Cabral
Subscrever:
Mensagens (Atom)
