quarta-feira, 4 de abril de 2007

A solução ainda é a Diplomacia

Depois da Guerra no Iraque, a população mundial teme que o conflito gerado entre Irã e Estados Unidos devido ao programa de enriquecimento de urânio do país persa, culminem em um novo conflito armado no Oriente Médio. Nos últimos dias o quadro de tensões se agravou devido à prisão de quinze marinheiros britânicos no Golfo Pérsico, sob a acusação de invasão de águas iranianas. Os marinheiros continuam sob o poder de Teerã, o que ocasionou séria crise diplomática entre Irã e Reino Unido.
O país persa possui 9% das reservas mundiais de petróleo, além de vastas reservas de gás natural. Mas a economia não tem ido bem, e o governo de Teerã enfrenta o desafio de reduzir a inflação e o desemprego, que atingiu cerca de 11,2% da população em 2004, segundo pesquisa divulgada pela Folha de São Paulo. Tais fatores já seriam suficientes para justificar interesses de países de primeiro mundo na região. Além disso, no ano passado, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que havia conseguido enriquecer urânio pela primeira vez, na quantidade de 3,5% do material processado. O governo afirmou que desejava produzir energia nuclear pra diversificar suas fontes de energia e não precisar mais importar de fornecedores estrangeiros. Teve então, início a mobilização de países como EUA para impedir o enriquecimento de urânio no Irã.
O enriquecimento de urânio em níveis baixos é capaz de produzir combustível para reatores nucleares, mas em quantidades elevadas, pode ser usado em bombas. A quantidade necessária para produzir uma bomba nuclear é de 90%. Sendo assim, não existem provas concretas ou indícios reais de que o país esteja interessado ou que tenha condições de desenvolver armas nucleares. Mas o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas – ONU - , afirma temer que o Irã , sigilosamente tente desenvolver uma bomba.
O Irã faz parte do Tratado de Não Proliferação Nuclear – TNP – segundo o qual, um país tem o direito de enriquecer seu próprio combustível para geração de energia nuclear com fins civis, sob a inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica – AIEA. Ainda assim, no último dia 24, O Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções ao Irã pela manutenção de seu programa nuclear. O pacote de sanções foca a exportação de armas, as ações do banco estatal Sepah e o comando de elite da Guarda Revolucionária do país. O Chanceler iraniano, Manuchehr Mottaki, diz que a resolução é "ilegal, desnecessária e injustificável".
Desde que teve início o conflito, EUA e Irã não cansam de demonstrar publicamente seu poderio armamentista, em testes e treinamentos militares que os governos insistem em definir como “rotineiros”, mas que explicitam uma espécie de diálogo entre as duas nações com o objetivo de provar suas forças e sua capacidade de defesa. Um dia antes do aprisionamento dos marinheiros britânicos, a marinha do Irã realizou treinos militares com o uso de submarinos e pequenas embarcações com lançadores de mísseis. Os treinos visariam mostrar poder de defesa para proteger o Golfo Pérsico e deveriam durar uma semana. Quatro dias depois, a marinha dos EUA também realizou exercícios militares no Golfo Pérsico, com o uso de navios, porta-aviões e aeronaves militares. O que nos remete às lembranças da Guerra Fria.
Tony Blair já afirmou algumas vezes que, caso a solução diplomática e imediata para o problema não seja possível, deverá ser tomada “uma posição mais dura”, mas descarta a realização de uma intervenção militar. Isso pode ser provado pelo decorrer dos dias em que os militares britânicos estão em poder iraniano. Se algo mais drástico fosse ser realizado, podemos acreditar que já o teriam feito, principalmente pelo fato de pedidos de libertação imediata vindos, inclusive da ONU, terem sido completamente ignorados pelo país persa.
Diante de toda essa situação e, levando em conta o contexto histórico, econômico e geográfico em que este conflito está inserido, podemos acreditar que, pelo menos por enquanto, os Estados Unidos e o Reino Unido não têm motivações e até mesmo coragem suficientes para realizar uma investida armada contra o Irã. Comecemos por todas as conseqüências negativas que a invasão do Iraque trouxe aos Estados Unidos: milhares de perdas humanas, com soldados morrendo diariamente em território iraquiano, a grande perda da popularidade de George W. Bush diante do seu eleitorado e da população mundial – que, diga-se de passagem, nunca gostou dele mesmo - , as perdas financeiras diante do estrondoso aumento do preço do barril do petróleo, dentre outros fatores que comprovam os inegáveis prejuízos dessa guerra. Mais uma invasão em terras do Oriente Médio agora seria absolutamente inviável.
Outros fatores a serem considerados são a superioridade territorial do Irã com relação ao Iraque, e, também, a superioridade do seu exército, com relação ao do país invadido. Tudo isso dificultaria muito mais uma invasão a terras iranianas. Além disso, o Iraque encontrava-se internamente dividido por forças religiosas, a população estava separada entre xiitas e sunitas e vivia em meio a conflitos internos. Já no Irã, não existe esse problema: a grande maioria da população (89%) é de muçulmanos xiitas e o sentimento de nacionalismo nesse país é forte.
Muitos afirmam que o Irã pode estar blefando no que diz respeito à sua capacidade de enfrentar um conflito armado, mas é verdade, também, que o país possui influências na região e que, na possibilidade de uma guerra, poderia contar com reforços, o que levaria o conflito a proporções bem maiores do que as imaginadas e com conseqüências catastróficas.
Diante de tudo isso, um conflito armado e uma intervenção direta dos Estados Unidos no Irã agora, não interessaria a ninguém e todas as partes sairiam prejudicadas. Não há sinais de que o Irã vá desistir de seu direito de enriquecer urânio e de lutar contra as sanções que têm sido impostas àquele país. Também não há indícios de que libertarão tão facilmente os prisioneiros britânicos que se encontram em Teerã. O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki afirmou, no último dia 24, sobre as sanções adotadas pelo Conselho de Segurança da ONU, que “A resolução se afastou dos propósitos declarados pelos patrocinadores e --com medidas contra as instituições de defesa, econômicas e educativas do país-- estão perseguindo objetivos além do programa nuclear iraniano". Afirmou ainda que o Irã não funciona com "ameaças e intimidações" e pediu aos membros do Conselho que "voltem ao caminho da negociação baseado na justiça e na verdade".
O Irã está se impondo internacionalmente, disso não tenhamos dúvidas, e ameaças “psicológicas”são realizadas diariamente de todos os lados. Mas ainda podemos acreditar que estamos longe de mais um conflito armado que desencadeia no mundo o medo da Terceira Guerra Mundial e do fim da humanidade. Também as grandes nações compartilham desse medo e com certeza, não subestimam tanto assim a soberania dos povos do Oriente Médio e suas capacidades. Tony Blair e George Bush terão que se esforçar bastante pra impor sua palavra e o medo sobre o qual governam, mas a saída ainda é a diplomacia como afirmam insistentemente os porta-vozes, nas edições diárias dos jornais. Enquanto isso, vamos vivendo o clima de Guerra Fria.

Camila Pessoa de Souza.

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terça-feira, 3 de abril de 2007

TUDO AO MESMO TEMPO, AGORA!!!

Há meses escrevo essa coluna, nunca estive com tantas idéias, nunca estive tão vazia de palavras.

Há tantas coisas acontecendo em torno e dentro de mim, inclusive a TPM, sobre a qual falei ano passado.

Parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo, agora! O rock que toca ao fundo - Offspring - o filme do Adam Sandler na TV a cabo, a lua majestosa lá fora (lua majestosa é lugar comum?), o mundo girando, os vôos atrasando, o mergulho interior na terapia corporal e meus sonhos mais remotos se realizando. Sim! Meus sonhos estão se realizando.

Desculpem, mas em lugar dos palpites e críticas escreverei o mais rasgado agradecimento:

Grata estou porque vou morar na cidade que amo e que escolhi para chamar de minha;

Grata estou por que finalmente irei trabalhar na área que adoro;

Grata estou por que finalmente estou dissolvendo o muro que me separa dos meus sentimentos mais profundos;

Grata estou porque apreendi a libertar meus filhos das garras dependentes da mãe deles;

Grata estou porque tenho os melhores amigos que uma mulher pode ter;

Grata estou porque ganho menos do que mereço, mas mais do que preciso para viver;

Grata estou porque sigo em frente, cabeça erguida, mesmo depois de tropeços e tapetes puxados...

Sorrindo, sempre sorrindo...

Só posso agradecer? Não, posso mais... Posso pedir tudo o que quero: E quero muito ainda

Quero paz para o mundo;

Quero igualdade de oportunidades para toda a população brasileira;

Quero educação para todos;

Quero arte e cultura por toda parte;

Quero direitos humanos para aqueles cujos direitos ainda precisam ser minimamente respeitados;

Quero uma linda casa, com quintal e pomar, com redes na varanda, energia solar, horta, muitos livros, música, filmes e uma janela para o mundo;

Quero o mais belo pôr-do-sol a cada dia;

Quero o mais belo amanhecer, todos os dias, não necessariamente nessa mesma ordem;

Quero alguém especial para compartilhar idéias, afetos, temperos e carinhos;

Quero pássaros cantando e brisa no rosto;

Quero tudo, quero o mundo, tudo ao mesmo tempo, agora!!!


Maria Cláudia Cabral

quarta-feira, 28 de março de 2007

Fechada

Quero ser uma porta
Branca e envernizada, enquadrada nas paredes
E justificada nas réguas pra não ser torta.

Nada quero que me preencham,
Oca e sonora, seria eu mesma e meu nada.
Portas costumeiras, mas não na leveza.

Linda, estável, modificada:
A porta que não mede o que entra e o que sai
Apenas o que jamais a afetará.

Porta de maçanetas douradas
De quarto de bebê; na verdade,
Eu só não quero ficar em frente à sacada.

Maria Clara Dunck
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terça-feira, 27 de março de 2007

NEM AREIA, NEM PEDRA


‘’Eu sou poeta e não aprendi a amar.’’ (Cazuza e Frejat)




Amar se aprende amando, já dizia o poeta – ou terá sido o filósofo? Não importa, vale saber que amar é muito mais que mergulhar de olhos fechados num mar de sensações e sonhos. Que é mais que o friozinho na barriga, as mãos suadas – ou espalmadas, como diria Vinícius. ‘Amar se aprende amando’, mas afinal como sabemos onde está a fronteira entre o apreço sincero ou o tesão ou a carência e o amor?


Honestamente? Não sei. Sei apenas que o mito do amor romântico já não cabe mais. Idealizar o ser amado, vesti-lo num modelo pré-fabricado de parceiro é caminho sem volta para a decepção. Há muitos anos ouvi uma frase, no capítulo final de uma novela das sete horas (engraçado isso), o homem dizia à mulher ‘’não amo você ‘apesar de’, mas ‘por causa de’’’. Amar talvez seja isso, aceitar o outro tal qual ele é realmente. Porque ele é egocêntrico e inflexível – e há aí um largo espaço para aprendizado recíproco e crescimento –, e não apesar de ela ser defensiva, que comporta uma sensação de ‘’então tá, eu aturo’’. Encarar a humanidade do parceiro, ver-se desnudada por ele, crescer com isso.


Estar disposto a ver de frente a humanidade do outro é colocar-se pronto para a construção do relacionamento, para a construção do amor. Não mais o amor romântico, que não depende de esforços, posto que é como chama ardente que se acende e se apaga, mas o amor platônico – cuidado aqui com o senso comum de amor platônico, vale ler um pouco mais a respeito do conceito de amor, segundo Platão – que se modifica e amadurece, que se liberta do plano mesquinho dos fatos, rumo ao plano das idéias.


Essa construção, tenho aprendido, não é possível sobre areia, tampouco é possível sobre rocha. O que significa isso, afinal? Sinto que ao estabelecer as bases do relacionamento sobre terrenos incertos – insegurança, medo, superficialidade – fica prejudicada a segurança mínima para fluir o relacionamento. Por outro lado, ao buscar a firmeza da rocha como lócus para a construção dos alicerces, perde-se a flexibilidade necessária para sobreviver aos ventos e tempestades característicos da adaptação de dois indivíduos, com formação, estrutura e história emocionais diferentes, muitas vezes muito diferentes.


Entra aqui a sabedoria chinesa sobre o bambu, que é firme, sem ser rígido e, é sólido, sem ser pesado. Tais características, a meu sentir, compõem ou constroem a relação em bases reais. Relações amparadas, volto a dizer, não no amor romântico que ouve Puccini no primeiro beijo, mas no amor platônico, que cresce e evolui sete degraus, um após o outro. A relação consciente, escolhida – o amor. Será que isso responde à pergunta?



‘’Como sabemos qual a linha que separa o apreço sincero do amor?’’ (E.T., 37 anos, numa madrugada dessas).



‘’Mas há quem passe toda a vida desiludido porque toda a vida sonha com uma ilusão e nunca arrisca amar a sério, com carne e sangue e lágrimas...’’ (comentário no Blog Silêncio, em 08 de outubro de 2003.)




Sobre o Amor Romântico:
http://www.usuarios.unincor.br/luisfranope/Amor%20romantico.htm http://silencio.weblog.com.pt/arquivo/015333.html


Sobre o Amor Platônico :
http://www.saindodamatrix.com.br/archives/2005/04/amor_platonico.html




Maria Cláudia Cabral
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quarta-feira, 21 de março de 2007

As mulheres, os homens, as mulheres homens e os homens mulheres - Segunda parte

Uma magnitude


Um homem para cada dia de medo.
Um orelha feita de argila e outra de gelo.

Que ele venha por telefone ou por escrito:
Piedoso nas faltas, que não aconselhe nos gritos.

Homem desencanado dos vícios,
Preconceituoso de quermesse.
Porque o homem de botequim me dá medo
E o de livrarias nem sempre sabe o preço.

Homens que são como as melhores poesias:
Feitas no banho,
Que quando enxuto o corpo da água que refresca
Tudo já se esquece.

Maria Clara Dunck
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terça-feira, 20 de março de 2007

AS NOSSAS ESTRANHAS CERTEZAS ABSOLUTAS DE CADA DIA



‘’Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói’’
(Caetano Veloso)





Alguém disse certa feita, que expectativa é o caminho mais curto para a decepção. Certo! Ao esperarmos azul, quando encontramos um dulcíssimo lilás não o queremos, não nos serve, simplesmente porque não era azul, e não por que lilás não seja bom – na verdade nem pensamos sobre a possibilidade do lilás, nem nos permitimos experimentar lilás.

Complexo? Nem um pouco, faz parte de nossa natureza controladora querer que coisas e pessoas sejam aquilo que queremos, ajam como esperamos. Assim, se esperamos um pedido de casamento com anel de brilhantes e o outro aparece com uma proposta de compartilhar um ‘’apêzinho’’ decorado em parceria, pronto! Já ficamos amuados, onde está meu pedido de casamento, em meio a espumante e lágrimas?

Nos recusamos não só a abrir mão de nossas receitinhas prontas de o que é felicidade, de o que é o homem/mulher que sonhamos para nós, como também cometemos o supremo sacrilégio – contra nós mesmos – de não avisar ao outro o que esperamos.

Imaginamos uma super viagem às Bahamas: muito sol, mar e mergulho, e, se recebemos um convite para uma viagem romântica para Praga, nos entregamos a elocubrar que ele/ela não nos dá o valor que merecemos, não está interessado como deveria ou como gostaríamos que estivesse. Sequer pensamos na grandiosidade de Praga.

Em regra, recusamo-nos a ver o que o outro tem, e focamos naquilo que lhe falta – ou ainda pior, naquilo que imaginamos que ele teria e, que, ele não tem (ou que não lhe demos tempo de mostrar que tem). Detalhe: o outro nunca disse que tinha, mas ainda assim sentimo-nos enganados, traídos em nossos sonhos.

Freqüentemente desejamos não o outro, mas alguém que idealizamos. E não importa o que custe, importa encaixar aquele/aquela que está diante de nós no modelo que queremos, seja fisicamente, seja emocionalmente. Assim é com pessoas, assim é com comportamentos.

Queremos que o outro nos ligue no dia seguinte pela manhã, se não for assim, significa que ele não está interessado. Ou queremos que o retorno seja recheado de propostas concretas, diante dos espaços em branco que deixamos, e, se assim não é, significa que não fomos importantes, o interlocutor não nos quer. (mas nós não fazemos propostas concretas).

Como somos peritos em julgar o comportamento e os sentimentos de nossos interlocutores... Como somos bons nas certezas absolutas, em nossas convicções cotidianas sobre o que é que o outro pensa e sente. O significado dos silêncios, das ausências, das vírgulas e até da telefonia móvel, que falha. Enfim, como somos espertos, ninguém nos engana, ninguém nos ‘’usa’’! Enchemo-nos de razão e seguimos, dedo em riste, bradando aos quatro ventos: ninguém me usa, ninguém me faz de bobo, ninguém me abandona assim! Questão fechada! Para quê dialogar? Para quê esclarecer? O outro não me serve, e isto é tudo – às vezes orgulho, às vezes desinteresse puro e simples, fruto da insustentável leveza do ser.

Nessas idas e vindas perdemos chances inestimáveis de encontrar, não a pessoa perfeita, mas aquele que poderia ser perfeito para nós. Aquele ou aquela que nos auxiliaria a vencer algumas de nossas limitações, nos auxiliaria a abrir mão do egocentrismo ou do orgulho – mesmo que só um pouco. E a quem ajudaríamos a vencer o medo da entrega, a pressa ou a estranha mania de ter certezas – malditas convicções!


‘’Esperava MUITO mais de você!”(M.D., 38 anos, depois de uma semana de um primeiro e único encontro)
‘’Eu continuo não entendendo o que fiz/não fiz’’ (C., 38 anos, depois de uma semana de um primeiro e único encontro).

''Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.'' (Martha Medeiros)



Maria Cláudia Cabral
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quarta-feira, 14 de março de 2007

As mulheres, os homens, as mulheres homens e os homens mulheres - Primeira parte

É o mundo que eu posso sentir.


Eu em mim mesmando...
Precisando de uma rotina
E de um crime a cada dia;
De uma noite emblemática
E dê uma, vadia.

E o meu horror às reticências é muito ambíguo:
Esvai-se nos mistérios contidos
E engrandece-se nos clichês fingidos.

Cuidado ao errar, me disseram risonhos,
E esqueci, ao melhor amigo lembrando que, mesmo habit(u)ando,
A gente gosta ou não gosta, reticências.

Mulher à mão. Nos pés,
E quanto a mim?
Onde há dor e prazer.


Maria Clara Dunck
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Dúvida...

Escreve
Pára
Escreve
Apaga
Reescreve
Pensa
Pára
Desiste

Escreve
Apaga
Escreve
Pára
Reflete
Não pára
Persiste

Escreve
Pensa
Escreve
Rasura
Escreve
Pára
Desiste

Dúvida...


''A palavra foi dada ao homem para esconder o seu pensamento" (Stendhal)








Maria Cláudia Cabral
Copyright da Autora. Direitos Reservados.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Cáries

"Assim, as últimas páginas de um livro já estão nas primeiras páginas. Este nó é inevitável." (O Mito de Sísifo - Camus)


Se os degraus da escada fossem a soma de minhas contestações
A subida seria a reserva do que já é esperado.
Desde quando ao pisar forte, me doeram os dentes,
Desisti de prevenir cáries,
Já que elas sempre aparecem.

Deixou uma mensagem na minha geladeira,
E eu, que nunca como em casa, não a vi.
Puta falta me faz a fome,
Deixando que a vida me reserve o
Nada.

Mas, enfim,
Deus sempre me busca,
Eu, poeta, que me abandonei
Mesmo.


Maria Clara Dunck
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terça-feira, 6 de março de 2007

A Menina e o Fogo



'Há tanta coisa parada na garganta
Não sabia que era tanta
Não sabia que era tanta.
(a Autora)


Lá vem a menina de novo. Epa!! Está chorosa, a menina. O que houve? Queimou-se? Como? Onde? Conte-me tudo!


Foi assim... Há muitos e muitos anos, num reino muito distante daqui, vivia a alegre e faceira menina. Estava ela, como de hábito, encantada. Sim, encantada pela beleza da chama, que dançava intensa e harmoniosamente. Sorria com os olhos e a boca, com as mãozinhas infantis, aplaudia. Como era linda aquela chama, vermelha, amarela, alaranjada e azul... Como era forte e leve! Tão lindo que a menina teve vontade de tocá-la. E, sem nenhum receio, a tocou.


Encantada que estava nem percebeu, a princípio, a dor. Quando se deu conta, já se havia ferido. Queimou-se, a menina. Queimou-se e chorou, chorou muito em razão da intensa dor que lhe causou aquela chama.

A mãe da menina tratou a ferida, deu-lhe gotas de esperança e cápsulas de amor. O pai da menina a colocou no colo, e fez de suas palavras sábias sobre os perigos de pôr a mão em uma chama, um ungüento que aliviou-lhe as dores. Com o passar do tempo, a ferida foi lentamente cicatrizando. A marca, no entanto, ficou na pele e no coração da menina. Sempre que via o fogo, ainda que encantada por ele, ela se lembrava da chama, temia e a ferida doía.
Se por um lado, queria tocá-lo, por outro a lembrança da dor que sentira a afastava. Mesmo a chama de uma vela a assustava, mesmo a chama de um minúsculo fósforo a fazia reviver – no coração – a dor sentida. A ferida estava viva e por mais que tentasse não conseguia superar aquela dor.

Muito tempo se passou e a menina seguia sua vidinha de criança. Esquecera-se do episódio da chama e a cicatriz já não era mais visível em sua pele. Brincava com tudo, divertia-se e ria. Ela ria muito. Era vivaz e corajosa, a menina. Curiosamente, ao ver a luz de uma chama, seu coraçãozinho infantil se angustiava, já não sabia o porquê, posto que a ferida já cicatrizara. Sentia medo, a menina.

Certo é que o fogo a encantava, mas a assustava também. Ela tinha medo do fogo, não sabia bem o porquê, mas temia. Ainda que o fogo parecesse amigo, ainda que se sentisse atraída por ele, aproximava-se lentamente. À medida que se chegava, o calor da proximidade aumentava e ela se irritava – não com ele, mas com ela mesma, por sentir-se tão dele. Brigava com as chamas que a atraíam, chegava a desprezar sua beleza e intensidade. Fazia pouco caso do fogo, fingia que não era com ela. E, invariavelmente, virava-lhe as costas imediatamente, ao menor sinal de contato mais próximo. Sentia raiva da dor que lhe causara a chama. Como se a dor ainda existisse... E existia, em algum lugar, num bauzinho velho e poeirento, escondido no fundo de um quarto escuro. Ela existia, ela estava lá.
Maria Cláudia Cabral
Copyright da Autora. Todos os direitos reservados.

quinta-feira, 1 de março de 2007

UM CINEASTA APOCALÍPTICO


Mel Gibson pode ser acusado de anti-semitismo, de bebedeiras e problemas com a polícia, de seu machismo, arrogância, mas o que nos interessa aqui é a figura do cineasta que ele vem criando desde seu primeiro filme o Homem sem Face de 1993. Sim, por que ele, com esse Apocalypto demonstra que é mesmo um autor de cinema interessado em ter uma estética, uma maneira pessoal de coordenar elementos (no caso, fílmicos) para apresentação de um assunto e a maneira que ele irá abordá-lo.

É intrigante analisar que Gibson coloca todos os seus protagonistas no limite do sofrimento físico, da violência, da carne e do sangue, do martírio provocado por seus oponentes e de sua redenção final. Foi assim em O Homem Sem Face, Coração Valente, A Paixão de Cristo e agora em Apocalypto. Mesmo que morram (como o líder escocês de seu segundo longa ou como Jesus) seus personagens acabam por promover grandes conquistas, para si mesmos e/ou para os seus.

Se em A Paixão de Cristo esse percurso da violência já havia sido levado ao extremo ao mostrar o corpo de Cristo sendo dilacerado, aqui em Apocalypto, ele parece querer levar esse espetáculo adiante. Vejamos, Jaguar Paw, jovem maia que é capturado junto com sua tribo pelos Incas para serem oferecidos como sacrifício aos Deuses, deixando sua mulher e filho para trás. Ao fugir inicia-se uma sangrenta caçada em que ele sofrerá intensas agressões físicas a fim de resgatar sua família. O mais interessante porém, é que todo esse percurso de violência percorrido por Jaguar Paw parece justificar a operação-assinatura estética de Gibson, o uso da câmera lenta, a violência gráfica...

Gibson filma no gerúndio: ele quer o movimento na dimensão do "movimentando", como se o martírio estivesse sempre em curso, nunca concluído, como a história da tartaruga de Arquimedes, que nunca chegará ao final da corrida. Dessa forma ele parece querer mostrar bem de perto as conseqüências desse martírio no corpo de seu protagonista (ou mesmo de seus algozes), com a violência sendo levada ao limite. Gibson investe na intensidade da dor como mecanismo para expectativa da ação, seja prolongando o martírio de Jaguar Paw até o final, seja violentando todos os outros personagens do filme até que ele se conclua.

Mais interessante porém é o domínio que Mel Gibson adquiriu ao longo do tempo de sua misé-en-scéne. Basta analisarmos a primeira cena do filme. Por um momento me vi dentro de alguma obra do tailandês Apichatpong Wheerasethakul (ou Joe como é chamado, diretor de Tropical Malady, Eternamente Sua e Sídromes e um Século) suas profundas imersões dentro de florestas e seu uso efusivo do verde. No caso de Apocalypto, a primeira cena se parece bastante com uma imerssão do tailandês e seu Síndromes e um Séculos, com a diferença de que daquele verde surgirá uma anta que será caçada até seu final violentamente trágico. Gibson articula seus componentes fílmicos de maneira brilhante, consciente de que tem nas mãos um material que pode lhe render imagens magníficas, seja dentro das florestas densas da América do século 16, seja nas impressionantes cenas dentro da cidade Inca. Detalhe importante de que assim como Joe, Gibson filma tudo em digital, e o resultado é sempre impressionante.

Curioso ainda perceber que Apocalypto é claramente um filme de gênero. Comparações à Mad Max e Duro de Matar não são atôa. Com um senso de velocidade impecável, Gibson consegue construir apartir de tantos clichês do gênero, um filme que não se parece com nada, mas que é claramente filho remixado dos filmes de ação hollywoodianos, temperados com o tema família e com a já tão comentada ultra-violência. Ou seja, Apocalypto é um filme para a família, mas cruelmente feito para deixar essa família com os olhos arregalados, ainda que essa instituição saia ilesa do cinema, com um belo sorriso no rosto.

Fica claro diante disso tudo que Gibson quis passar longe de um relato histórico e puramente documental sobre maias e incas. O cineasta gosta de trabalhar com gêneros. Seja no drama (O Homem sem Face), ou no épico de aventura (Coração Valente), seja no terror gore (A Paixão de Cristo), ou nesse último caso um filme de ação (Apocalypto). Assim ele se concentra em mostrar fora da ação, o modo de vida daquela civilização – o que me lembrou O Novo Mundo de Terrence Malick – como caçavam, como lutavam, como rezavam... e mesmo que aquilo não seja historicamente correto, me pareceu bastante crível. O que importa naquilo tudo é mesmo a ação e a forma com que Gibson irá registrar o corpo sendo perseguido e violentado. Apocalypto pode ainda nos trazer outras nuances sobre civilização, sobre essa sociedade contemporânea. Isso só ficará mais claro com futuras revisões. Na verdade o grande encantamento do filme é o de ele ser o filme de ação alucinante e tão bem arquitetado que é.
Rafael C. Parrode
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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Sem reconciliação


“Esta limitação me conduz a mim mesmo, onde não me escondo atrás de um ponto de vista objetivo que eu só represento, onde nem eu mesmo, nem a existência do outro, podem mais se tornar objeto para mim.” (Karl Jaspers)


A terra gira em torno do sol
E o sol gira em torno do meu umbigo.
Quem descobriu isso foi Galileu
Dentre diversas fórmulas matemáticas, esquálidas, loucas,
De metáforas...
Mas copernicamente falando,
Eu mesma descobri os parâmetros
Contas, expressões, retas, definições
E todos os palavrões que os matemáticos falam.
Entre arestas e ângulos, no prisma
O ápice do egocentrismo
E do cinismo.

Metais se esbarram nas ruas apertadas
Das cidades invisíveis; meus gigolôs bailam com suas botinas batidas
Em cada plano desse cartesiano:
Nódoas, tumores e protuberâncias...
Minhas pernas andam sem minha permissão
E os pensamentos estão tão desarticulados com a mímesis
Do mundo terreno
Que talvez eu nunca tenha sabido,
Nem através das artes, nem das ciências
O que é real e o que é imaginário.

Quem comanda esse absurdo?
E será que existe alguma semelhança entre os iguais?

Eu tomei três sustos essa noite:
Um gato morreu a tamancadas;
Nas ciências não encontro explicações;
Meu vizinho, meu igual, meu mesmo, meu semelhante
Sussurra letrinhas forjadas de amor profundo
E descarta a dor do outro pois isso não convém,
Repetindo o estribilho chorando...

Então eu canto a mim mesma
Uma cantiga velha de um compositor velho
Que já passou mas ainda não morreu.
E a terra continua girando em torno do sol,
Meus pensamentos giram em torno da lua
E não dou moral da história ao poema
Porque isso não me convém.


Maria Clara Dunck
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Eu Vim do Século Passado...




...E agora é tudo tão estranho, as relações interpessoais são relações de consumo, onde tudo é descartável. As pessoas se encontram, se tocam, se beijam e vão embora numa dança frenética e infinita. É como se tudo não passasse de encontros e desencontros. É como se a vida não passasse de pequenas viagens ao país de Alice.

Observando as pessoas na noite, todas lindas e perfumadas preparadas para a caça incondicional, com caras, bocas, sorrisos, percebo que o objetivo é único...Encontrar alguém, beijar alguém, transar com alguém e ir embora. Na noite seguinte encontrar alguém, beijar alguém e transar com alguém que não se sabe quem e nem nunca se saberá porque não há tempo...As pessoas não se dão o tempo necessário...Beijam sem saber quem estão beijando, se entregam completamente aos prazeres momentâneos embalados a whisky e energético sem saber exatamente onde isso vai dar, e na verdade sabem...Vai dar em nada...Porque não é nada, não significa nada, não há consideração, não há cumplicidade, não há carinho...Não há nada, só o vazio de ir e encontrar alguém, beijar alguém, transar com alguém e de novo. E de novo....

É como um vício...Todos dependentes desse encontro às escuras...Todos dependentes de beijar um/uma desconhecida. Buscando, procurando compulsivamente algo que ninguém sabe exatamente o que é...

...Eu vim do século passado, e olho em volta e surpreendo-me com a inacessibilidade das relações e das pessoas. Ninguém está disponível nem para estar consigo mesmo.
Eu penso me enquadrar – em vão, e a sensação de vazio me leva a questionar este tipo de relação onde não sou nada e o outro não é nada também...

Caramba! Eu sou alguém! Eu penso, eu sinto, eu tenho idéias...Não concebo me confundir com uma massa humana, com pernas e pés e bundas e seios, que serve para alimentar, para saciar a fome e o vazio de um outro ser humano que está igualmente perdido em busca de respostas nessa loucura que é o mundo dos novos relacionamentos descartáveis. Onde tudo começa pelo sexo e termina com o gozo.

É isso! Tudo começa com o sexo e termina com o gozo. Quando o sol nasce, um novo dia uma nova preparação, uma nova conquista...Que começa com o sexo e termina com o gozo...E tudo de novo...E de novo e de novo...Numa roda frenética que não pára de girar, os dias vão passando, os meses, os anos...E quando percebemos... O que fizemos da nossa vida? O que construímos para nós? No dia seguinte estamos sós. A luz do sol mostra nossas imperfeições e realça o vazio interior. A cabeça gira...E mal nos reconhecemos quando nos olhamos no espelho. É possível? É possível ser diferente só por hoje?

Geração de zumbis que se enternece durante o dia encobrindo o abismo interno com trabalho, que se levanta à noite para esconder os buracos da alma com beijo na boca. Com a fantasia de que por 15 minutos podemos ser amados...O prazer, a luxúria...Fantasiados de amor por 15 minutos...E o vazio volta...Ok...’’Mais uma dose...É claro que eu to afim...A noite nunca tem fim’’...É, velho Barão... Barbies e Betty Boops...Mas e eles, são o quê? Caçadores vorazes, não percebem que o vazio não pode ser preenchido na noite?
Maria Cláudia Cabral
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sábado, 24 de fevereiro de 2007

Carrossel do Ser

“...quando algo necessita ser feito e é inevitável, então o faça rápida e eficientemente...”

Maquiavel

Zunido incessante nos ouvidos, meu novo amigo Rossi nas mãos, fumaça no ar... Arrogante, me julgo senhor absoluto de minha existência, a ponto de querer definir meu destino. Como se a muito já não estivesse nas mãos das fiandeiras. Agora pouco importa, assim como os dogmas em que fui criado. Nem me lembro da primeira vez que “o amanhecer e o anoitecer” perderam o sentido. Existir. Talvez, pelas repetições cada vez mais intensas de minhas ambições, fosse necessário punir-me. Mas, a mesma coragem que me impede de antecipar o inevitável ciclo, como num balé pirotécnico, oscilante, revela-se covardia. Ironia que garante a integridade de meu corpo diante das punições merecidas. Inútil. Ainda que fosse punido fisicamente o tempo curaria as feridas. Agora o choque de meus “eus”, antes como um jogo de bolas de gude, agora se perfila a impetuosa catástase das galáxias que brutalmente tentam ocupar o mesmo lugar no espaço. Explosão.

Sou o reflexo dos pensamentos antiexistenciais que me acompanham. Nada com o que se preocupar, ninguém vai perceber a mudança, dado a superficialidade dos relacionamentos humanos e a facilidade de manipular as pessoas. Só vêem o que querem, ou o que é mostrado. Massa de manobra. Basta um sorriso no rosto, ainda que cínico, e lá vai a felicidade em pessoa. As roupas também ajudam. Por fim, o artifício mais eficiente, mesmo com os amigos próximos, as máscaras... É muito desagradável se expor dessa maneira. Ao menos, o papel e a caneta se submetem silenciosamente a tudo que lhes é imposto. Insolidez, êxtase, psicodelia, frustração, euforia, individualismo, anarquia, amor, pudor, tudo.

Como um amálgama, misture: os rótulos, a insolidez, o êxtase, a psicodelia... Uma pitada de humor ácido, com requintes de cinismo gratuito, despeje numa fôrma untada com muita crítica e pronto descrevi-me da unha ao cabelo. Seria alguém capaz de coexistir pacificamente com o mundo sendo constituído por tão inflamáveis substratos? Respondo que sim. Sim, sim. H? Não, o perigo eminente não é cataclísmico. Implosão. Uma batalha interna constante, prestes a me consumir. Presa e predador desse ritual androfágico.

Talvez, se fosse mais ignorante, ou volúvel, ou alienado, ou tudo isso, relevasse o que vejo e que sinto. E nem me importaria em saber qual é a verdadeira provação. Amanhecer? Anoitecer? Poderia ser... deliberadamente feliz. Não o sou. Não consigo me curvar ao bel prazer do vento.

Minha cabeça dói muito, meus olhos parecem querer saltar de minha face. Lembrei-me de um antigo provérbio oriental. “Numa floresta existiam muitas plantas, grandes arvores de caules majestosamente imponentes e de frágeis e numerosos bambus. As primeiras por suas características naturais, viviam isoladas umas das outras, não podiam ficar juntas, os segundos pelo contrario, só sobrevivem coletivamente. Inesperadamente, começou uma tempestade como nunca houvera ali. Seus ventos incontroláveis e violentos pareciam anunciar a chegada de um rei, obrigando seus vassalos a se curvarem. Os bambus se dobravam e desdobravam à vontade de sua mãe, pouquíssimos morreram. As grandes árvores, devido a sua formação, resistiram enquanto puderam, mas a natureza foi mais forte, e ainda assim umas poucas restaram...” De repente, empalideço, embora seja fácil determinar quem são as grandes arvores e os frágeis bambus, a mãe natureza é o ‘sistema’? Quando virá a tormenta?

Chega!!! Não sei! A essa altura posso naturalmente estar delirando, entorpecido pelos meus pensamentos. Entorpecido por mim mesmo. Droga. A mão é inábil, ante a mente. Esta raciocina velozmente, enquanto, aquela lentamente mancha o papel com palavras infundadas. O resultado quase sempre é insatisfatório, fartas idéias, parcos recursos. Esse disparate pode até ser-me útil, potencializando minha visão cubista da realidade.

O zunido se foi. O disparo não se repetirá, por enquanto. O balaço era primogênito, único e deficiente. Paralisia infantil? Pólio? Aproveitarei adiando um pouco mais a única certeza de todos. Quem sabe, antes de encontrar outra munição, encontre algo mais... destrutivo. Ragnarok! Uma alma gêmea.

Adhes Valhala

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Náuseas

“Existe também a náusea de origem psicológica, como aquela que ocorre quando vemos alguma coisa repugnante. É a forma da consciência subjetiva de dizer que não aceita aquilo.” (Wikipédia)

“eu me sinto triste; mas tomar consciência de meu desgosto é colocá-lo como um objeto a distância de mim. Pois o eu que diz 'estou triste' não é mais, de modo algum, o eu que está triste. Assim o homem está por sua consciência, sempre além de si mesmo. Eis o sentido do 'ex-istencialismo'." (A Náusea – Sartre)

"A náusea seria a sensação física que corresponde a essa contingência. A constatação de que as coisas não são permanentes compromete o ser naquilo que ele tem de substancial. A não-estabilidade do mundo nos dá a sensação de que ele desmorona." (Cauê Ramos - Sartre nos Tópicos)


Neste espaço eu vim pra dar-me conta de mim mesma
Diante do pessimismo fundado em todas as justificativas do medo.
Nivelei-me a cada tumor do cansaço e trouxe o regresso.
Se a grandeza está no que vem após a coragem
Quero reinar o reinado de minhas provações
E compassar todo o peito ao ritmo das razões.

Desvencilhada por algum tempo do único mal que me destrói inteira
Compreendi que nada vem que não venha de maus presságios:
Sentir-se bem é saber que tudo vem que não venha por eternidade.

A sagacidade dos meios que nos convencem é nos ser diferente
Das exclamações pitorescas de nossas próprias atribuições:
Tensões me forçam ver que se vale a pena viver nas naus e embarcações
As náuseas são involuntárias, sujas, asquerosas e temporárias.

Agora os anos podem passar que aqui nada mais reprova ou desaprova
Depois das malhas de um ser perdido em sua própria desmesura
Da vida por alguém não compartilhada.

Maria Clara Dunck
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

A Contramão do Mundo ou Outro Sentido Para o Mundo (Parte II)



‘’Prefiro ser essa metamorfose ambulante,
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante.
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo’’.
(Raul Seixas)


A novela pode terminar, mas o tempo não pára. Seja o nosso próprio tempo, seja o tempo pré-estabelecido pelas sociedades, seja o tempo virtual (?). A única coisa que é certa: o tempo é relativo, assim como é relativa a realidade na qual estamos inseridos.

Talvez estejamos hoje percebendo que as duas dimensões são o que os irmãos Wachowski, brilhantemente nos convidaram a ver em Matrix, sim, Rafael, isso tem a ver com Matrix.

A ilusão de uma realidade criada para nos entreter ou para nos fazer crescer. Uma experiência, um jogo. Esse é o mundo chamado real? Desse jogo, meus caros, só levamos o que aprendemos com ele, as lembranças que temos, os afetos que guardamos/vivemos. Por isso, a casa própria não enche meus olhos; por isso a estabilidade de um maravilhoso salário não me mobiliza. Quero-os, quando acontecerem, mas creiam, não perderei um segundo de convívio com os livros – meus companheiros inseparáveis – com a arte, com as pessoas, para TER bastante dinheiro no bolso ou para TER um conjunto de pedra, que me imobiliza no espaço.

Compreendo que seja muito difícil para a maioria ver a existência dos dois mundos, já que a arena onde se dá a realidade tangível é tão perfeitamente orquestrada, a pressão por nos encaixarmos, nos enquadramos é tão forte... As dores, os amores, os cheiros e odores são tão reais, a necessidade de estar adequado é tão premente. Paredes, prédios são tão palpáveis. Por outro lado, o ciberespaço é fluído e volátil. Difícil tocar essa realidade, ainda que de relance. Parece ficcção científica.

Mas, atenção! O cibespaço é apenas a ‘’dica’’ de que vivemos mesmo numa Matrix, numa ilusão material da qual nada levamos. A vida em duas dimensões é, para aqueles que a percebem; o exercício de viver numa dimensão intangível, onde o toque não acontece pela ponta dos dedos, mas pela energia das idéias, dos ideais, dos sentimentos. É o exercício do desprendimento e superação do mundo material, um fomento para a busca de um novo propósito existencial.

No entanto é ainda difícil entender uma dimensão invisível, imaterial. Há uma tendência a sentir-se só, a acreditar que a essa dimensão nos isola, nos faz solitários, mesmo tendo um milhão de amigos no mundo inteiro. Talvez porque a imagem e a matéria ainda sejam necessárias para validar a existência. Talvez porque ainda vigore a crença de que não estar só é ter alguém ao lado.

Pessoalmente, acho a solidão a dois, assim como a solidão na multidão, muito mais opressora que a solitude, que o simples ‘estar só’. O filósofo alemão Heidegger dizia que estar só é a condição original de todo ser humano, em seu brilhante Ser e Tempo. Nós, leitores, nascemos sós... E assim permanecemos até o ‘’final’’, em que partimos sós.

‘’ Temos que entrar nos vários mundos mas com a idéia de modificar’’ (R, 23 anos).

‘’ ...e o que fazemos com o tempo que se arrasta dentro de nós?’’ (LC, muitos anos mais).


Sobre Cibernética, escrevo de uma próxima vez, Rafael, por hoje vai a dica :
http://www.psicologia.org.br/internacional/ap11.htm

Mais Dicas:

Sobre Matrix
http://pt.wikipedia.org/wiki/Matrix
Sobre Heideger e solidão:
http://www.existencialismo.org.br/jornalexistencial/solideliber.html

Maria Cláudia Cabral
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sábado, 17 de fevereiro de 2007

Tempos Modernos

Não! Esse não é um texto sobre Chaplin, tampouco acerca de seu clássico cinematográfico. Acho que nem seria capaz de tecer qualquer comentário a altura deles. Recolho-me em minha insignificância, optando por temas menos rebuscados. Falarei, então, de minha infância onde tenho o bônus do conhecimento da causa. Como todo menino de parcos recursos, sem uma caixa grande cheia de brinquedos para dominar meu dia inteiro, cresci acompanhado da TV. E adorava sua companhia. Talvez por isso, tenha ‘ficado’ insone. Ou o contrario, será que gostava tanto por causa da insônia? Sei lá. Nem me interessa! O fato é que assistia a desenhos animados, praticamente, o dia todo. Na minha época eles começavam, religiosamente, com o cantar do galo, às seis da manhã. Durante muito tempo, amanheci com o Gato Félix, não aquele tagarela colorido de voz insuportavelmente aguda que reinventaram uns anos atrás. Deliciava-me com o original em preto e branco, ingenuamente psicodélico (naquela época nem sabia que essa palavra existia, muito menos seu significado).

Falando em reinvenções... Alguém, por favor, seria capaz de dizer o que está acontecendo com os desenhos de hoje? É falta de imaginação ou estão simplesmente tentando faturar com os ídolos animados de ontem dos pais assoberbados de hoje? Conseguiram o impossível! Destruíram o supra-sumo dos desenhos animados infantis, Pica-pau (Woody Woodpecker) lançando um trambolho batizado “O novo show do Pica-pau” (The New Woody Woodpecker Show). Este bichinho azul de cabeça vermelha pode ser tudo, menos o passarinho ora sarcástico, ora ingênuo, ora egoísta, ora mentecapto que eu cresci cultuando. Adorava até os poucos episódios em que ele era a maior vítima de suas próprias armações. Eram outros tempos. Eram outras necessidades. Éramos outras crianças. Ainda ontem assisti a outro genérico, “As Aventuras do Picolino”. O original fazia parte do pacote “A Turma do Pica-pau”, hoje nem sei. Aliás, sei que agora tem seu próprio título ao preço de algumas alterações. No original o picolino era quase mudo, ou falava muito pouco, e invariavelmente os episódios tinham na fome o mote central, o reinvento é cheio de diálogos e inovações tecnológicas. Em tempos perdidos ele só queria a última lata de atum de um navio preso no gelo e guardado por um cão bobo e desajeitado, hoje ele faz peripécias por uma placa de energia solar de um campo de pesquisas tecnológicas avançadas (sic!), pelo menos ainda é guardada pelo mesmo cão bobo e desajeitado. Entretanto, o infeliz algoz contemporâneo não é tão engraçado. Antes só de ver o cão o sorriso nascia naturalmente no canto da boca, no reinvento é preciso ficar atento a todas as falas, as piadas não são visuais, são verbais. E pior, às vezes, com a tradução a piada se perde. Pobres crianças! Agora entendo porque o computador é tão interessante.

Tem mais! Infelizmente, assisti ao ‘genérico’ do Scooby-Doo. So-co-rro! Penso que era um ‘genérico’, prefiro crer nisso. Aquilo bem que poderia ser outro desenho, cujas personagens lembrassem o grupo da “Mistery Machine”. Acreditem se quiser, mas no meio de um episódio do ‘Novo Scooby’ aconteceu um show do “KISS” (sic!). KISS e Scooby!? Isso mesmo! Tudo bem que todo mundo sabe que o KISS é o maior projeto empresarial do mundo da música. Mas fazer propaganda no meio de um desenho? Uma banda que teve seu auge da década de 70 do século passado? Aí não! E como se não fosse possível piorar, quando a vilã é desmascarada e presa no carro de polícia, a banda aparece do nada e pergunta para meliante (uma linda adolescente loura, que queria acabar com o dia das bruxas porque seu aniversario coincide com o feriado estadosunidense, moradora de uma fazenda de milho que nem tem idade para votar, mas consegue criar espantalhos robôs – ufa!) quem pagará o cachê do show (sic!). O detalhe cruel é que o prefeito da cidade pode ser visto ao fundo da tela, sem participar da cena. Nesse momento, quase acertei a TV com um copo que tinha nas mãos. Por sorte, o bendito estava quase cheio de precioso café (tomo café no copo, sim, porque não tenho coordenação motora suficiente para manusear aquelas xícaras ‘afrescalhadas’ e minúsculas). Antes que seja mal interpretado, gosto muito do som do KISS, principalmente os álbuns do início da carreira com gravações ao vivo, mas nem por isso eles deixam de ser uma empresa (para céticos), ou um fenômeno mercadológico de grande apelo cultural (para sonhadores). Melhor não me comprometer, afinal, eles também podem ter sido reinventados no novo século. Alguém aí já ouviu falar em “The Doors 21th Century”?

Voltando ao que interessa. Ainda me lembro das lições de moral que a She-ra, o He-man, o Lion (Thundercats) ou o Quicksilver (Silverhawks – esse tinha uma música de abertura, emocionante, cheia de solos de guitarra) ensinadas no fim de cada episódio. Essas lições, definitivamente, moldaram meu caráter. A aventura nunca era gratuita, sempre havia uma motivação subliminar, que ganhava luz no desfecho da história. Certa vez, o príncipe Adam/He-man mostrou que nunca deveríamos mentir. As mentiras sempre eram descobertas e o mentiroso perdia a confiança da família e dos amigos, como aconteceu com o ‘Gorpo’ no episódio do dia. Quanta nostalgia! Se pudesse voltava no tempo.

Em meio a tanta modernidade animada me serve de consolo uma possível (in)explicação para - aquela que pode ser - a maior dúvida dos desenhos. Se o Pateta (Goofy), personagem antropomórfico como o Mickey, o Donald ou o Pão Duro McMoney, é um cachorro, que animal seria o Pluto? Minha única certeza se refere a ele ser o animal de estimação do camundongo mais famoso da história. Também sei que ele foi criado em meados de 1931, pouco tempo depois da descoberta do ‘último planeta’ do sistema solar (detalhe: em inglês eles têm o mesmo nome). Fazendo uma livre associação ao fato de Plutão hoje ser um não-planeta, afirmo, categoricamente, em tempos ‘modernosos’ como os atuais, que Pluto é um NÃO-CACHORRO (sic!!!).

A cada dia que passa, deixar de ser criança tem menos graça. Hei! Por obséquio, parem este orbe! Eu quero descer, nem que seja num satélite, num cometa ou não-planeta.

Rodrigo Duarte

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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

A RAINHA DESNUDA

Ontem, num daqueles bate-papos deliciosos após ver A Rainha, uma amiga me pergunta que filmes esse Stephen Frears já fez:

- Hhhhmmmmm... fez Coisas Belas e Sujas, aaahhh e fez Ligações Perigosas.

– Ligações Perigosas é um dos meu filmes prediletos...

– Meu também; concordo com ela... aaahhh e ele fez também Minha Adorável Lavanderia!

Pensei, e tentei me lembrar dos outros filmes do Frears, mas nada me veio à cabeça e logo desviamos do assunto.

Na verdade Stephen Frears já dirigiu coisas finas como Terra de Paixões, Alta Fidelidade e Liam, mas de uns tempos pra cá tem caído no esquecimento com filmes blasé como O Segredo de Mary Reilly, o recente Sra. Henderson Apresenta, além do já citado Coisas Belas e Sujas, pelo qual não nutro tanta simpatia. Eis então que Frears ressurge com esse delicado e estranhamente íntimo A Rainha - indicado a 6 Oscar, entre eles os de melhor filme, diretor, atriz e roteiro original – obra de uma austeridade que me pareceu casar muito bem com a proposta de seu diretor.

A Rainha é o filme que desmitifica o mito pra nos revelar o ser humano por trás da Rainha Elizabeth II, seus medos, fraquezas, no que talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis de sua vida como monarca , quando da morte de sua ex-nora, a popular princesa Diana. Frears e a soberba Helen Mirren (sem esquecer do excelente roteiro de Peter Morgan) conseguem invadir a intimidade de uma das mais reservadas e solenes personalidades do planeta.

Mirren é pra mim uma das atrizes mais completas que já pude ver atuar. Dona de uma sensibilidade e inteligência impressionantes, ela compõe muito mais do que os trejeitos e modos de Elizabeth, lhe emprestando, sobretudo vida e firmeza no olhar e nos gestos, na ironia... Oscar garantido espero eu.

Frears nesse sentido me parece seguir a mesma lógica daquela história toda. Diana morreu sendo perseguida por paparazzis, sempre teve sua vida particular revirada pela imprensa e precisou encontarar na morte a paz que aqui nunca teve. O filme, nesse sentido me parece muito coerente quanto ao mostrar a vida da Princesa, ou seja, Frears, tentou invadir o mínimo possível a vida daquela mulher, utilizando-se apenas de cenas de arquivos da época, e nunca reencenando sua vida.

Uma figura naquilo tudo porém me pareceu pouco crível. Tony Blair aqui é menos o Primeiro Ministro britânico que nos acostumamos a ver nos telejornais e suas manobras políticas um tanto questionáveis, do que aquele homem compreensivo, ingênuo e sensato que o filme parece mostrar. Nesse sentido, Blair me parece ser o alter-ego do cineasta Stephen Frears, pois ambos estão em busca do ser-humano por traz da frieza monárquica de Elizabeth. E conseguem, seja na bela seqüência do cervo real, em que ela solta seu único choro, que é inclusive negado por Frears, que a mostra apenas de costas, seja na delicada seqüência em que ela retorna ao palácio de Buckigham para o funeral de Diana e encara todos os seus súditos que a massacram como vilã nessa trágica história, manipulada com tanta frieza pela imprensa e pelo partido socialista que quer o fim da monarquia e seus privilégios.

A Rainha é, na verdade, mais um dos muitos filmes contemporâneos que enfocam esse embate entre o velho e o novo. Entre tradição e modernidade, num mundo que renega o tempo todo o seu passado, sua história, em busca de um pensamento que pode ser tudo, menos humanista. Nesse sentido, é ainda mais questionável essa coisa da imagem, ou da construção de uma imagem principalmente feita pela mídia, nessa necessidade maniqueísta que o homem tem de separar o bom do mau, o mocinho do vilão. Frears parece nos querer mostrar que somos todos produtos do tempo e do espaço, e cada indivíduo é um frasco repleto de emoções ímpares, e que a chave de tudo é buscar compreender o próximo, sendo acima de tudo tolerante, e não assumir a beca da justiça e julgar as pessoas como se houvesse algum modelo de comportamento já predefinido.

A Mis- en- céne aqui é a da contensão, tanto na manipulação dos sentimentos de cada personagem, quanto na trilha sonora e na fotografia intimista criada pelo brasileiro Afonso Beato. A Família Real é fria, contida, rigorosa, e Frears assume essa postura em seu filme, mas sem perder a ternura, claro. Ao final, tanto Tony Blair, quanto Stephen Frears terão assumido sua paixão pela figura hipnotizante daquela Rainha. E se o espectador não chegar a assumir tal sentimento, ao menos enxergará aquela figura com outros olhos.

Me fez pensar muito nessa manipulação barata que a mídia do mundo todo faz quando pretende vender seu peixe, renegando uma alta carga de responsabilidade, que todo jornalista deveria ter. É o segundo filme que vejo essa semana – o outro é o primoroso A Conquista da Honra de Clint Eastwood – a questionar a imagem e seus desdobramentos. A imagem que fazem de nós, a imagem como ferramenta para manipulação das massas, nesse que me parece ser antes de tudo um forte e muito consistente libelo humanista.


Rafael C. Parrode
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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Permite que eu feche os meus olhos,
Pois é muito longe e tão tarde.
Pensei que era apenas demora,
E cantando pus-me a esperar-te.
(Cecília Meireles)

“Não te quero ter, pois em meu ser tudo estaria terminado...
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados...
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada...”
(Vinícius de Moraes)

“Às vezes nos falta esperança, mas alguém aparece para nos confortar. (...) Às vezes estamos sem rumo, mas alguém entra em nossa vida, e se torna o nosso destino. Às vezes estamos no meio de centenas de pessoas, e a solidão aperta nosso coração pela falta de uma única pessoa.”
(Luis Fernando Veríssimo)

“Quando o verdor esperançosoDará alegrias aos que espera?Que o caule verde seja rosaRosa purpúrea e... bela!”

(Walter De Castro)

Arte finalista
Alguém que meta os pés pelas mãos, que seja bem mais inconseqüente que eu...

Pois eu sempre tive muita consciência de viver a insanidade e ser sã.
E mesmo sabendo de todos os defeitos que esse alguém possa ter
Eu quero que todo a meu ser passional seja libertado.

Alguém que não peça, mas exija um descuido
]E que implore o que eu nunca poderia dar numa gota de desespero.
O esposo da loucura e a irmã do infortúnio.
Porque toda chama não vagueia sem os ventos e
A quase brisa-viva do candeeiro.

Peças alusivas a uma vontade-desejo.
Eu que quis que tudo se espandisse de mim mesma
Cri na minha falta de vocação ao subversivo:
A preguiça que esse alguém me aconchegue.

Noites de cores de tendas caídas
E meu “não me importo” de dores nas juntas.
Mãos serenas que pesquisam a todo momento os tipos de toque
E o adeus por segundos.

Alguém que venha, mas que volte de onde não sei porque eu sempre pelejo
Pela fé, desabotoada de seu abrigo.

Ah, essa pessoa que me destrói e me reconstitui imperfeita
Em que todas a cola que derrete na primeira tempestade
Se transforma no alto-relevo que faltava.


Maria Clara Dunck
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Editorial nº 00 - Novos Tempos!

E começamos 2007..... Como se houvesse alguma escolha nisso... Mas eu gosto, sabe? Essas convenções e comemorações humanas me atraem. Essa sensação de poder começar de novo, mudar, fazer diferente... A Arca Mundo começa o ano diferente. Com algum atraso, admito, mas estávamos ansiosos por voltar a escrever.
Este ano a coisa vai ser mais dinâmica... Ouvimos críticas e sugestões de sábias vozes, e como, desde o início, nossa idéia era Liberdade de Comunicação, estamos cortando mais um laço que poderia estar podando essa liberdade. Agora, cada colaborador da Arca terá um dia da semana exclusivo para as suas idéias e vocês leitores terão, diariamente, textos fresquinhos pra ler. Dessa maneira, os textos serão postados diretamente por cada colaborador, sem haver a necessidade de um filtro e de editoriais semanais. Além disso, os leitores podem acompanhar seus temas favoritos, participar mais ativamente e inclusive, cobrar assiduidade dos colaboradores de forma mais direta. A agenda da semana será ativa de domingo a domingo e segue da seguinte maneira:
Segunda feira: Maraísa Lima
Terça feira: Maria Claudia Cabral
Quarta feira: Maria Clara Dunck
Quinta feira: Rafael Parrode
Sexta feira: Paulo Henrique dos Santos
Sábado: Camila Pessoa e Rodrigo Duarte (Novo colaborador da Arca!)
Domingo: César Henrique Guazelli
Além disso, teremos uma coluna especial de gastronomia, escrita pela Maria Claudia, com dicas de comida boa no eixo Goiânia-Brasília, toda última quinta feira do mês!!!
E ainda há mais mudanças por vir....
Espero que todos gostem das novidades e permaneçam conosco.
Um ótimo 2007 a todos.... e que possamos ir muito longe nessa Arca!
Camila Pessoa
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